

O surgimento da pílula anticoncepcional permitiu à mulher controlar sua fertilidade e conquistar liberdade sexual com segurança. O resultado foi uma mudança radical na vida social e econômica feminina A ativista norte-americana Margareth Sanger (1879-1966) é considerada uma das principais personagens da história da pílula anticoncepcional. Num período em que pouco se falava sobre sexualidade, a editora da revista feminina Mulher Rebelde ousou introduzir a discussão sobre o controle de natalidade. Sua motivação foi a morte precoce da mãe, aos 50 anos, debilitada por ter gerado 11 filhos. Margareth ajudou a financiar pesquisas sobre a pílula anticoncepcional. O sonho dela era encontrar a possibilidade de um contraceptivo efetivo e seguro para libertar as mulheres e as consequencias da maternidade desordenada e irregular.
A possibilidade tornou-se real. Hoje, milhares de mulheres em todo o mundo já se beneficiaram com a pílula. No Brasil, cerca de 30% das mulheres sexualmente ativas utilizam o método contraceptivo oral. Os dados são da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, do Ministério da Saúde, realizados em 2006, com 15 mil mulheres de 15 a 49 anos.
O contraceptivo oral é uma forma reversível de controle de natalidade que preserva a fertilidade da mulher, mesmo após longos períodos de utilização. O tratamento pode ser de duas formas. A primeira deve ser iniciada no primeiro dia da menstruação, tomar a pílula diariamente por 24 dias, fazer uma pausa de quatro dias e recomeçar a tomar o medicamento. A outra dura 21 dias, também sendo iniciada no primeiro dia da menstruação, com uma pausa de sete dias, para depois recomeçar. É importante destacar que durante a pausa, o efeito de proteção contra a gravidez continua.
Para a ginecologista Zenilda Bruno, a aceitação da pílula anticoncepcional ocorreu gradativamente. ``A pílula fez com que a mulher se emancipasse sexualmente e assumisse um trabalho sem o medo de engravidar``, conta. E os impactos desde a criação da pílula em 1960 são acompanhados até hoje na estrutura social, familiar e econômica. Prova disso é a participação ativa das mulheres na sociedade, a diminuição da taxa de fecundidade brasileira e o aumento da inserção feminina no mercado de trabalho verificados ao longo desses últimos 50 anos. Segundo o Instituto Brasileiro de geografia e Estatística (IBGE), a taxa de fecundidade em 1960 era de 6,3 filhos por mulher. Caindo para 5,8 filhos em 1970 e chegando a 2,3 filhos por mulher, em 2000, e 1,95, em 2007.
No mercado de trabalho, os impactos também foram significativos. Os indicadores da Fundação Carlos Chagas apontam para o crescimento da participação feminina. Enquanto que em 1976, apenas 28,8% das mulheres estavam inseridas no mercado de trabalho ou a procura de emprego, em 2007, esse índice pulou para 43,6%. Os dados mais recentes do IBGE, do ano passado, revelam que o trabalho feminino já corresponde a 45,1% da população empregada no País. (Viviane Gonçalves)
fonte http://www.noolhar.com/
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